Seis anos após a banda Pearl Jam tocar seus acordes para 40.000 pessoas no último grande show registrado na história do Estádio Municipal Paulo Machado de Carvalho, o Pacaembu, seus vizinhos voltaram a conviver com os megaeventos. Só neste ano, usando brechas e enfrentando as determinações judiciais que proíbem o uso do espaço para festas que sejam “prejudiciais à segurança, ao sossego e à saúde” do bairro, o prefeito Gilberto Kassab autorizou duas celebrações evangélicas que reuniram, juntas, cerca de 70.000 pessoas.
Em setembro, ocorreu por ali uma partida entre bispos e pastores da Igreja Universal. Na última terça (15), foi a vez de uma multidão louvar o centenário da Assembleia de Deus no Brasil, celebração que contou com a presença de políticos e autoridades como o próprio Kassab e o governador Geraldo Alckmin. Os dois precedentes deixaram os moradores do entorno ressabiados, crentes de que as liberações podem ser um sinal da volta da concorrida agenda de apresentações extra-futebol. “Nosso receio é que a vida por aqui volte a ser um inferno”, afirma Iênidis Benfati, presidente da associação Viva Pacaembu por São Paulo. O próprio Ministério Público, preocupado com a situação, promete enquadrar os responsáveis pelo aval por improbidade administrativa, além de pedir indenização por danos coletivos e aplicação de multa aos envolvidos nos atos religiosos.
Daniel Teixeira/AE

Kassab e Alckmin em evento religioso no Pacaembu: o Ministério Público promete punir os responsáveis pela liberação do campo
Do outro lado da cidade, o futuro campo do Palmeiras só deve ficar pronto em 2013, mas já é visto com desconfiança. “Estamos preocupados com os espetáculos que deverão ser realizados aqui”, afirma Anna Claudia de Salles, presidente do Conselho de Segurança Comunitária de Perdizes. “Se os shows no antigo Palestra Itália já travavam as ruas e causavam balbúrdia, imagine como será com uma estrutura maior ainda.” Por causa dessas polêmicas, os administradores dos estádios buscam formas de conciliar os interesses do showbiz e os dos paulistanos que moram perto deles. Circula nos gabinetes do governo municipal um projeto de reforma do Pacaembu, que ganharia isolamento acústico e um estacionamento.
No Morumbi, o São Paulo espera concluir até julho de 2013 uma cobertura orçada em 100 milhões de reais. O projeto inclui uma espécie de cortina que descerá até o chão, formando uma arena fechada atrás de um dos gols para receber 25.000 pessoas. A WTorre, responsável pela construção do novo campo do Palmeiras, promete limitar ao máximo o impacto de grandes eventos na vizinhança com um moderno sistema antirruído.
Eduardo Anizelli/folhapress

Justin Bieber em apresentação no Estádio do Morumbi: promotor do Meio Ambiente quer proibir novos eventos no campo do São Paulo
Moacyr Lopes Junior/Folhapress

Construção da arena do Palmeiras: o espaço só ficará pronto em 2013, mas já causa rebuliço na vizinhança
Eles temem a volta dos grandes espetaculos ao campo